17 de julho de 2026

Até que a morte nos separe - Peter Swanson

 



Thom e Wendy Graves estão casados há mais de 25 anos. Vivem em uma charmosa casa vitoriana na costa de Massachusetts, têm um filho já adulto e construíram, ao longo das décadas, a imagem de um casamento sólido e invejável. 
À primeira vista, tudo parece perfeitamente normal. Exceto por um detalhe: Wendy quer matar o marido.
Mas o verdadeiro mistério não é o que vai acontecer, e sim o que aconteceu antes. 

Contada de trás para a frente, esta trama brilhante e perturbadora revela os momentos decisivos da vida do casal: a compra da casa, o nascimento do filho, a morte suspeita de uma colega de trabalho… e, no centro de tudo, um pacto sombrio selado há muitos anos.

RESENHA:
17/07/2026

Eu sou fã dos trabalhos do Swanson, sempre fico eufórica quando chega um livro dele e esse em particular é bem diferente.

Imagine começar um livro já sabendo exatamente como a história termina.
É isso que acontece aqui.

A narrativa começa em 2023 e vai voltando no tempo até 1982, quando Thom e Wendy se conheceram ainda na adolescência.
Thom é professor de literatura inglesa, alcoólatra e sonha em se tornar um grande escritor. Wendy é poetisa, já teve seus poemas publicados e é muito mais centrada que o marido. Logo nas primeiras páginas surgem perguntas que prendem a atenção: o que levou Thom ao alcoolismo? E, principalmente, por que Wendy quer tanto matar o marido?

A resposta vem aos poucos, enquanto voltamos no tempo capítulo por capítulo.
Cada capítulo revela um momento importante, ou aparentemente comum, da vida do casal, e aos poucos todas as peças vão se encaixando.
Gostei bastante da proposta. É uma leitura diferente, curiosa e que desperta a vontade de entender como tudo aconteceu.
Mas, para mim, existe um ponto que tirou parte do impacto da história: como já sabemos o desfecho desde o início, boa parte da surpresa desaparece. Toda a carga emocional do livro ficou concentrada nas primeiras páginas, e, quando chega ao último capítulo, que, na verdade, é o começo de tudo, a sensação é bem estranha.

A experiência vale pela construção da narrativa e pela forma como os acontecimentos são revelados, mas terminei a leitura com a impressão de que essa estrutura funciona mais como um diferencial do que como um recurso que aumenta a tensão. Talvez exista um motivo para tantos autores deixarem a grande revelação para o final.

Nota: 3,5 ★




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10 de julho de 2026

A Casa da Escuridão Eterna - Riley Sager

 


Vinte e cinco anos atrás, Maggie Holt e seus pais, Ewan e Jess, se mudaram para Baneberry Hall, uma extensa propriedade vitoriana nas florestas de Vermont. Eles passaram três semanas lá antes de fugir na calada da noite, uma provação que Ewan mais tarde relatou em um livro de não ficção chamado Casa de Horrores.

Hoje, Maggie é uma restauradora de casas antigas e jovem demais para se lembrar de qualquer um dos eventos mencionados no livro de seu pai. Mas ela também não acredita em nada disso. Afinal, fantasmas não existem. 
Quando Maggie herda o Baneberry Hall após a morte de seu pai, ela retorna para reformar o local e prepará-lo para venda. Mas seu retorno ao lar não é nada caloroso. Pessoas do passado, narradas em Casa de Horrores, espreitam nas sombras. E os moradores locais não estão entusiasmados com o fato de sua pequena cidade ter se tornado infame graças ao pai de Maggie. 
Ainda mais enervante é o próprio Baneberry Hall, um lugar repleto de relíquias de outra época que sugerem uma história de feitos obscuros. 
À medida que Maggie vivencia acontecimentos estranhos vindos diretamente do livro de seu pai, ela começa a acreditar que o que ele escreveu era mais fato do que ficção.


RESENHA:
10/07/2026
 Enfim, um livro do Riley que realmente me conquistou.
Foi uma daquelas leituras que me prenderam da primeira à última página. A cada capítulo eu tentava descobrir para onde a história estava indo, mas simplesmente não conseguia enxergar qual seria o desfecho.
Confesso que, conhecendo outros livros do autor, já estava me preparando para um final que não me convencesse. Felizmente, fui completamente surpreendida. Riley entregou um encerramento que fez sentido, amarrou todas as pontas e me fez fechar o livro pensando: era exatamente isso.
Por isso, acho que a melhor coisa que você pode fazer é entrar nessa história sabendo o mínimo possível. A sinopse já entrega tudo o que você precisa para decidir se essa leitura é para você.

Uma coisa, porém, continua sendo uma marca do autor: a escrita. Riley sabe exatamente como prender o leitor. Sem descrições cansativas, com um ritmo envolvente e capítulos que fazem você dizer "só mais um" até perceber que o livro acabou.
Por falar em capítulos, curtos e alternando entre duas narrativas e duas linhas de tempo. Perfeito!
Recomendo demais essa leitura! Sem dúvida, foi o melhor livro do Riley que li até agora.

E você, já leu algum livro dele? Qual foi o seu favorito?

Nota: 4,5 ★


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27 de junho de 2026

Five - Ilona Bannister

 


Cinco vidas. Cinco histórias. Quatro viverão - um morrerá. Quem será? Nesta obra-prima lenta de ficção psicológica, a escolha é toda sua.

Você já tentou passar o tempo imaginando a vida dos estranhos ao seu lado? Five, de Ilona Bannister, apresenta aos leitores cinco pessoas aparentemente aleatórias esperando por um trem. Mas essas não são apenas cinco pessoas. Desde o início sabemos que um deles vai morrer em breve. Muito em breve. Em cinco minutos chegará o próximo trem para Londres, matando um deles. Mas antes que isso aconteça você aprenderá suas histórias.

Nenhuma dessas pessoas é santa. Os leitores podem se apaixonar pelo lindo jovem que está prestes a arriscar sua vida. Eles podem ter pena da velha rabugenta que caiu no chão, mas se recusa a ajudar. Talvez os leitores desviem o olhar da criança que está fazendo birra. Ou julgue sua mãe, que certamente deve ser a culpada. E alguns serão curiosamente compelidos pelo empresário bem-sucedido e danificado que orbita todos eles.

Esses são os candidatos para o infortúnio desta manhã. Mas eles não sabem disso. Só você sabe. E você, nosso leitor cúmplice, não conseguirá resistir a decidir quem merece ir embora e quem merece apenas mais cinco minutos de vida.


RESENHA:
27/06/2026

Cinco desconhecidos aguardam a chegada de um trem.
Um deles vai morrer.
O que ainda não se sabe é se essa morte será um acidente... ou um assassinato.

A história começa com um narrador conversando diretamente com o leitor, preparando o cenário e descrevendo tudo nos mínimos detalhes para que possamos visualizar a cena.
Entre os acontecimentos na estação, a autora intercala capítulos dedicados a cada um dos personagens, mostrando um pouco de suas vidas e como chegaram até aquele momento.

Confesso que a premissa foi o que me conquistou.
Achei a ideia extremamente interessante e diferente, e foi justamente isso que me fez começar a leitura.
Infelizmente, a execução não me convenceu.
No início, demorei para entender a estrutura da narrativa, que me pareceu um pouco confusa.
Os capítulos são longos e focados em um personagem por vez. Alguns funcionam melhor do que outros, mas, no geral, achei a leitura cansativa.
Outro problema foi a falta de conexão com os personagens.
Nenhum deles conseguiu despertar meu interesse, nem mesmo a criança. Com isso, eu simplesmente não me importava com quem morreria ou se a morte seria acidental ou intencional.
E esse é um problema quando a proposta do livro depende justamente dessa expectativa.
Também senti falta de tensão.
Sempre que a narrativa retornava à estação de trem, as cenas pareciam repetir as mesmas informações, o que acabava enfraquecendo o suspense em vez de aumentá-lo.

Eu nem classificaria este livro como um thriller, aliás não sei exatamente em qual gênero ele se encaixa, mas, para quem espera uma leitura cheia de suspense, talvez a experiência seja diferente do esperado.
O desfecho também foi bastante morno e não conseguiu compensar o restante da leitura.
Em resumo, ideia interessante mas mal executada.

Nota: 2,5 ★

Ebook somente em inglês

 


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23 de junho de 2026

Dead in the Water - John Marrs

 



Quando Damon sobrevive a um quase afogamento, sua vida passa diante de seus olhos. Cada memória é cristalina, exceto uma. Um menino morto. Um rosto que ele não consegue identificar. Um momento que ele não se lembra de ter vivido. 
No começo ele diz a si mesmo que é um truque da mente. Mas tudo o mais que ele viu era real. Então por que não isso?
Com sua vida desperta perseguida pela cena perturbadora, a confusão rapidamente se transforma em obsessão. 
Desesperado por respostas, Damon investiga seu passado fragmentado e se convence de que a única maneira de lembrar… é morrer novamente. 
E novamente. E novamente. 
Quando ele conhece um completo estranho que está muito disposto a ajudar, o cenário está pronto para seus dados com a morte.
Mas se é isso que é preciso para descobrir a verdade, talvez seja melhor deixar algumas memórias enterradas…


RESENHA:
22/06/2026

Sou fã de John Marrs desde The Good Samaritan, que continua sendo meu livro favorito do autor.
Por isso, qual não foi minha surpresa ao encontrar aqui um personagem muito importante daquele livro?
As histórias são independentes e podem ser lidas separadamente, mas, para quem já conhece esse personagem, a experiência fica ainda mais interessante.
A trama me prendeu desde o início.
A narrativa alterna entre vários personagens, em capítulos curtos e sempre terminando em momentos que dão vontade de continuar lendo.
Damon é o narrador principal e, ao longo da história, vai se tornando cada vez mais sombrio.
E não é por causa dos fantasmas.
O mais inquietante é acompanhar a sequência de decisões que ele toma. Em vários momentos eu ficava perturbada com suas escolhas e precisava ler "só mais um capítulo" para ver até onde aquilo iria.

Gostei muito da forma como John Marrs construiu a evolução desse personagem.
Quanto às revelações principais, não posso dizer que fui surpreendida. Desde o começo eu já tinha algumas suspeitas sobre o rumo da história.
Mas isso não prejudicou minha experiência.
Porque, quando achei que já tinha entendido tudo, o autor guardou uma última surpresa para o capítulo final.
E essa eu realmente não esperava.
Mais uma vez, John Marrs entregou uma leitura envolvente e impossível de largar.

✔ Recomendo.

E sigo torcendo para que este livro seja traduzido para o português.
Mas antes disso... por favor, publiquem The Good Samaritan.

Nota: 4,5 ★

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16 de junho de 2026

The Ex-Wife - Sally Rigby & Amanda Ashby

 


Minha vida era perfeita até ela aparecer. Norah.
Mais jovem, mais bonita e prestes a se casar com meu próprio ex-marido, eles são um clichê ambulante
Eu a odeio. Eu odeio os dois.
Ela tirou tudo de mim – meu marido, minha vida, minha casa - mas me recuso a permitir que ela leve Cassie, minha linda filha. Isso é ir longe demais.
Agora descobri que Norah planeja ter seu próprio filho e isso me causa problemas sem fim. Ela poderia destruir tudo e revelar meus segredos mais profundos e obscuros.
Isso nunca pode acontecer.
Não importa o quanto custe…


RESENHA:
15/06/2026 A trama começa durante o julgamento de Alice, acusada de assassinar a noiva do seu ex-marido.
Após seis meses presa, ela já aceitou seu destino. Afinal, ninguém acredita em sua inocência. Nem o ex-marido, nem a filha e muito menos a polícia.
Mas então, em pleno tribunal, ela vê um sorriso.
O sorriso de alguém que conseguiu exatamente o que queria.
E é nesse momento que Alice decide finalmente contar sua história.
A narrativa então retorna seis meses no tempo e acompanha os acontecimentos envolvendo Alice, Norah, Cassie e Markus.
Alice observa a nova noiva do ex-marido: bonita, mais jovem e determinada a construir uma família com ele.
Mas Alice não pretende permitir que isso aconteça.
Os personagens são muito bem construídos e bastante críveis.
Cassie, filha de Alice e Markus, é a definição de adolescente problemática: grosseira, impulsiva e completamente apaixonada por um rapaz que os pais desaprovam. E, quanto mais eles tentam interferir, pior a situação fica.
A narrativa é muito fluida e envolvente. Eu ainda não tinha lido nada das autoras e gostei bastante da escrita delas.
Mas o que realmente me conquistou foram as revelações finais. 
Fui genuinamente surpreendida.
No começo, tudo parece mais um thriller doméstico entre tantos outros que encontramos por aí. Só que, aos poucos, a história toma um rumo muito diferente do que eu esperava.
E foi justamente isso que tornou a leitura tão interessante.
Meu único problema foi a frase final do livro. Eu gostaria que as autoras tivessem seguido outro caminho naquele encerramento.
Mas isso é apenas uma preferência pessoal e não diminui a qualidade da história.
Recomendo!
E com certeza quero ler mais livros de Sally Rigby e Amanda Ashby.

Nota: 4,5 ★



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12 de junho de 2026

Procura-se aquela garota - Mary Kubica

 


Shelby Tebow é a primeira a desaparecer. Pouco depois, Meredith Dickey e sua filha de seis anos, Delilah, somem a poucos quarteirões de onde Shelby foi vista pela última vez, espalhando medo por uma comunidade que até então vivia em tranquila. Os casos estão conectados? A busca é longa, cheia de dúvidas, e termina deixando mais perguntas do que respostas – até que o caso, enfim, esfria.

Onze anos depois, Delilah reaparece de maneira inesperada. Todos querem saber o que aconteceu durante todo esse tempo, mas ninguém está preparado para o que será descoberto.


RESENHA:
10/06/2026
A trama alterna entre as narrativas de Kate e Meredith no passado e de Leo no presente, que conta sua versão dos acontecimentos como se estivesse escrevendo um diário para a irmã, Delilah.
Gostei da narrativa no geral. Apesar de algumas descrições desnecessárias, nada chegou a prejudicar minha experiência de leitura.

O grande destaque, para mim, foi Meredith.
Eu estava muito curiosa para descobrir o que havia acontecido com ela, e sua história foi, de longe, a parte mais interessante do livro.
A autora guarda boa parte das revelações para o final, o que ajuda a manter a curiosidade ao longo da leitura.
O problema é que, quando elas finalmente chegam, começam a aparecer vários furos.
Tive a sensação de que a história estava tão preocupada em criar um grande plot e surpreender o leitor que acabou deixando a lógica em segundo plano.
Algumas revelações causam impacto no momento, mas quanto mais eu pensava sobre elas, menos sentido faziam.

Eu estava dividida entre dar 4 ou 3,5 para essa leitura.
No geral, gostei um pouco mais dela do que de Não é Ela, lançado praticamente na mesma época, o que me fez considerar uma nota maior. Mas, quanto mais eu pensava nas revelações e nos furos da trama, mais a nota ia caindo.
No fim, esses problemas pesaram bastante na minha avaliação e acabaram definindo a nota final.
É aquele tipo de livro que funciona muito bem durante a leitura, mas perde força quando você começa a analisar os acontecimentos com mais calma.

Nota: 3,5


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